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A polêmica do livro de Danilo Gentili  

Na lista dos livros mais vendidos do final de 2009, segundo dados da Editora da Folha, está junto com títulos como o novo romance de Dan Brown. O livro “Como se tornar o pior aluno da escola” andou virando polêmica. Escrito pelo comediante, publicitário e cartunista Danilo Gentili, repórter do “CQC” o livro ensina passo a passo como se tornar o pior aluno da escola e já vendeu 12 mil exemplares.

O tema, mesmo sendo extremamente impróprio, virou sucesso entre os adolescentes uma vez que, traz dicas práticas de como colar nas provas, não entregar as lições de casa, matar aula, fazer bagunça na sala de aula e se dar bem na tal “selva escolar” como ele mesmo intitula a escola.

Diante de tantos absurdos o livro virou denúncia no Ministério Público de São Paulo após o pai de uma adolescente, menor de idade, ter enviado uma carta ao órgão criticando a obra, que só ensina más posturas aos estudantes. A editora, então, foi chamada para conversar amigavelmente.

O Ministério Público de São Paulo queixou-se que o livro, classificado como literatura infanto-juvenil, tem conteúdo inadequado para jovens. O MP, então, não perdeu tempo e entrou em contato com a editora do livro solicitando que fosse estampada uma recomendação na capa da publicação, em letra de tamanho legível, alertando que a obra é adequada apenas para maiores de 18 anos. O prazo para editora se retratar e o livro não ser recolhido é de 120 dias.

Ora, esta obra contém maneiras ruins aos estudantes, por óbvio. E a minha pergunta é: que um aluno pode ganhar com a leitura deste livro? Como alguém pode criar um livro que ensine nossos filhos a serem os piores alunos da escola? Como alguém pode querer se tornar o pior aluno da escola?

Essas perguntas ficaram na minha cabeça quando li as notícias polêmicas sobre este livro. Na realidade escolar que temos, onde os alunos simplesmente ignoram regras e desrespeitam continuamente os professores, chegando até mesmo a agressões verbais e físicas, será que um livro como este tem alguma utilidade?

Creio que o autor do livro certamente só queria “se promover”, sem qualquer escrúpulo ou responsabilidade. Ou sempre foi irresponsável, retratando sua vida no livro ou realmente não pensa no futuro dos pais, incluindo sua futura prole. Escrever um livro neste sentido é o mesmo que dizer, por favor, sejam mais burros do que eu e instigar a nossa educação que já está tão fragilizada.

A polêmica está aberta! E, Danilo Gentili já anda se retratando em sua página no twitter dizendo que está extremamente satisfeito com os “selinhos” e cantando vitória por seu livro não ser recolhido das livrarias.



Autor:

Eduardo Kümmel - Advogado


(14/04/10)

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