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Assédio moral no casamento  

Vocês já ouviram falar em assédio moral no casamento? Pois muito bem, o termo também é novo pra mim, mas me chamou atenção quando fui buscar a sua origem. Sabemos que o assédio moral ainda não é considerado crime, mas vista as suas características teria condições de sê-lo.

O assédio moral no casamento se inicia, segundo psicanalistas, com um olhar de censura, uma alfinetada sem aumentar a voz e um desejo que humilhar que aumenta a cada dia. Essas atitudes acabam por destruir a auto-estima da mulher, que se deprime e se culpa e deixa sequelas na alma.

A violência perversa do cotidiano entre casais está sendo retratada na novela Passione e se define como um alerta poderoso para quem sofre com entre as quatro paredes de um casamento. Trata-se de uma crueldade psicológica que começa com pequenos sinais como uma ironia, indiferença, humilhação até chegar a agressão física, de fato. A Psiquiatra francesa Marie France Hirigoyen define o assédio moral no casamento como um “vírus invisível” que corrói aos poucos as relações amorosas.

Ora, é comprovado que a intimidade excessiva e a procura por algo que o outro não pode oferecer, cria a violência. Trata-se do começo de uma violência sutil, que tende a aumentar progressivamente. Alguns psicanalistas avaliam que mensagens de sedução do tipo, “Eu digo isso porque te amo”, “Você não vai conseguir”, “Seu comportamento me surpreende”... denunciam o desejo de dominar, humilhar, denegrir e intimidar.

Portanto, antes do primeiro tapa, reaja a violência verbal e psicológica e corte o mal pela raiz. Há medidas no Direito, que podem contribuir para o resguardo da integridade psicológica das mulheres. A “Lei Maria da Penha”, ainda que não tão eficiente, entende como grave essa espécie de agressão. Ademais, existem outras leis que podem garantir às mulheres que vivem o “terror velado” a efetiva tutela do bem jurídico da integridade psicológica.

Obviamente que na maior parte dos casos, quem sofre com o assédio moral no casamento são as mulheres, mas infelizmente, elas só pensam em tomar providências quando são agredidas fisicamente pelos parceiros. Ocorre que a violência moral deixa cicatrizes bem mais profundas que a física.

Então, não deixe sua relação chegar a esse ponto, reverta este quadro e busque os seus direitos. A violência moral é um modo de relação, um comportamento repetido no cotidiano e não apenas o ápice da agressão.



Autor:

Eduardo Kümmel - Advogado


(14/07/2010)

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