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A linha divisória que determina onde
termina a concorrência e onde começa o cartel
é por demais tênue, ficando os empresários
do ramo, no limite do abismo. A insensatez de nosso sistema
econômico, aliado a força que exerce o petróleo
no mundo, faz com que essas altas seguidas dos preços
dos combustíveis instiguem os consumidores a protestarem,
utilizando-se de sua arma mais poderosa, que é a imprensa,
fazendo com que os donos de postos de combustíveis
fiquem entre a cruz e a espada.
Se de um lado os postos têm que conquistar
o cliente, baixando o preço, por outro lado também
tem que conviver com o perigo eminente de uma denúncia
de formação de cartel, ou seja, combinação
de preços.
Mas como presumir em alguma situação
que está acontecendo uma combinação nos
preços? A concorrência existe e está cada
vez maior, por uma diferença de centavos apenas na
terceira casa após a vírgula, e muitas vezes
o cliente anda mais para abastecer no posto mais barato.
É óbvio que os proprietários
dos postos fazem pesquisas para colocar seus preços,
todos os comerciantes fazem isto, e neste ramo não
poderia ser diferente. O proprietário, se vê
obrigado a acompanhar os preços dos outros para não
perder seus clientes, e ele não faz isso através
de reuniões com os outros donos para combiná-los,
mas simplesmente saindo e observando as placas de cada um,
que está estampada na frente deles, gerando uma bola
de neve, pois quando o concorrente baixa, este se obriga a
baixar mais ainda e assim sucessivamente, até chegar
em um limite de igualdade, pois existe uma barreira limitadora
que impede a redução maior que são os
custos para manutenção do estabelecimento, e,
muitas vezes, devido ao seu custo, tais como pagamento de
empregados, fretes, etc, faz com que o mesmo se esforce para
praticamente e pelo menos se igualar ao preço do concorrente,
deixando sua margem de lucro reduzida ao máximo.
Devemos rever nossos conceitos, talvez estejamos
querendo que alguém se responsabilize pela pretensa
igualdade de preços, mas penso que o problema é
"mais em cima".
Autor:
Sandro Trentin -
Advogado
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